Todos nós temos uma espécie de rituais que nos permitem aliviar o stress, minimizar os medos e até facilitar o quotidiano. Com as crianças acontece a mesma coisa, sendo isso normal por um determinado período de tempo. No entanto, as "manias" que persistem ou são reforçadas podem interferir na vida normal da criança e passarem a ser obsessões.

Segundo os especialistas, as obsessões são ideias ou pensamentos repetitivos, que torturam e não são desejados, surgindo insistentemente e de forma incontrolável na mente da criança, provocando-lhe um temor persistente e um alto grau de ansiedade. São comportamentos que podem manifestar-se em qualquer idade. São sintomas normais, que tendem a desaparecer após um breve período de tempo e estão associados ao desenvolvimento normal da criança, à sua necessidade de auto-afirmação e à sua formação como indivíduo.

Os comportamentos mais frequentes nas crianças são:

  • Comportamentos repetitivos ao deitar-se ou na hora de vestir.
  • Lavar-se muitas vezes.
  • Necessidade de ouvir sempre as mesmas histórias na hora de dormir (ajudando-as a controlar os medos, ansiedades e compreender melhor o seu mundo)
  • Na escola podem ter rituais quando brincam, fazem desporto ou fazem trabalhos em equipa. Fazer colecção de bonecos, carros, etc, o que poderá vir a ser um hábito saudável.

Pode afirmar-se que as crianças têm um transtorno quando essas manias, obsessões ocupam tanto do seu tempo que se tornam impedimento no curso dos seus dias e interferem significativamente nas suas actividades diárias. Deste modo, é necessário estar atento pois, no caso das crianças,  muitas das brincadeiras que podem ser consideradas normais podem tratar-se dos primeiros sintomas:

  • É normal, quando aprendem a contar, contarem tudo o que lhes aparece. No entanto, se gastarem demasiado tempo a contar e recontar, em busca da exactidão, podem estar a ser obsessivas.
  • Crianças com comportamentos obsessivos não distinguem a obsessão das brincadeiras. Brincam sem se divertirem, sempre com seriedade.
  • Lava as mãos 20 a 30 vezes por dia.
  • Apresenta dermatite ou outras lesões que podem ser resultado de lavagens frequentes.
  • Tem um comportamento muito lento e moroso, ou problemas para preparar-se para ir para a escola ou para realizar outras actividades.

Tratamento

Na medicina, o tratamento do Transtorno obsessivo compulsivo mais efectivo e recomendável resulta de uma combinação de terapia psicológica e medicamentos. O tratamento psicológico auxilia a criança a identificar e a compreender os seus medos, aprendendo também novas formas de resolvê-los ou minimizá-los, aliviando a ansiedade que eles provocavam e que a levavam à compulsão. Ajuda também a criança e a família a criarem regras e a efectuarem acordos com o objectivo de limitar ou mudar comportamentos.

Os medicamentos usados para tratar esta perturbação são inibidores selectivos da reabsorção da serotonina, servindo apenas como paliativo dos pensamentos obsessivos, diminuindo as condutas obsessivas. Este tipo de tratamento será usado apenas como último recurso.

 

Como minimizar o problema

Pais e educadores podem ajudar muito a minimizar a ansiedade e os medos das crianças, ajudando-as a reduzir os comportamentos compulsivos. Sendo assim:

  • Converse calmamente com a criança. Descubra os seus medos e a razão de estar ansiosa.
  • Explique de forma clara, simples e objectiva como ela deve confiar em si mesma, após realizar uma vez um determinado comportamento que a tranquiliza, e que não é preciso repeti-lo. Ao repetir, de forma calma e segura, explique novamente. Faça isso quantas vezes forem precisas, pois a criança procura acalmar-se com essas repetições.
  • Nunca critique ou ridicularize a sua forma de agir.
  • Estimule a aprendizagem de coisas novas.
  • Trabalhe com ela a respiração. Faça Yoga. Respirar correctamente é uma das melhores formas de combater a ansiedade.
  • Lembre-se, a criança precisa de si para conseguir superar esta fase. Esteja presente, com calma e serenidade.

 

In: Coisas de Criança

sinto-me:
publicado por olharovazio às 20:32