Factores cognitivos, afectivos, psicomotores, bem como os actuais contextos sociais e culturais exigem progressiva e inevitavelmente uma formação musical integrada na educação global da criança através de diferentes objectivos gerais e específicos, contributivos para o seu crescimento e desenvolvimento a todos os níveis.

A audição é provavelmente o primeiro sentido a ser desenvolvido logo no ventre materno. Tal como acontece relativamente à visão, em que os primeiros meses de vida, quando a criança começa a diferenciar as cores se devem activar os estímulos oferecendo-lhe um ambiente rico em cores vivas e diversificadas, a mesma diversificação deve ser oferecida do ponto de vista auditivo com o objectivo de estimular essa mesma capacidade de diferenciação, para que a criança não venha a sofrer de uma espécie de daltonismo musical quando adulta. Urge desta forma alargar o espectro de referências da criança através de:

 

  • Exemplos musicais curtos - 10 a 15 segundos para captar a sua verdadeira concentração, independentemente da função terapêutica que possa ter a chamada "música de fundo".
  • Exemplos musicais contrastantes, do ponto de vista do andamento e da intensidade para que a mesma concentração não se desvaneça ao fim do segundo ou do terceiro exemplo.
  • Oferta musical estilisticamente variada: música de diferentes estilos e épocas para que tenha acesso a diferentes linguagens.
  • Música de densidade variada: grandes orquestras, pequenos ensembles, instrumentos solistas, vozes humanas, etc.
  • Música ao vivo sempre que possível.

Na impossibilidade de acesso a música ao vivo, cabe ao professor esse papel, principalmente através do canto. Julga-se ser a voz humana o veículo privilegiado para captar a atenção de um recém-nascido, pela aproximação tímbrica daquilo que lhe poderá ser mais familiar: a voz da mãe ou do pai. No entanto, todos os timbres que o professor possa oferecer à criança são bem-vindos. Assim, o professor de música, enquanto artista privado dos bebés, deverá sempre que possível:

 

  • Cantar pequenas melodias construídas em linguagens diversificadas, nunca se limitar ao sistema tonal, oferecer igualmente melodias modais e atonais.
  • Cantar as mesmas melodias em monodia ou acompanhadas por um instrumento ou suporte gravado.
  • Oferecer pequenas melodias em instrumentos variados: flauta de bisel, guitarra, jogo de sinos, xilofone.
  • Oferecer também timbre de instrumentos de altura indefinida: brinquedos musicais, instrumentos de percurssão Orff, etc.

 

 

A partir do segundo ano de vida, o trabalho com as crianças desta idade deve ter a preocupação de proporcionar:

 

  • A vivência do andamento: movimentos constrastantes rápidos e lentos sempre adequados à música que estamos a ouvir.
  • A vivência da altura do som: movimentos ascendentes para os sons agudos e descendentes para os sons graves.
  • A vivência da intensidade: gestos que retratem corporalmente e/ou com auxílio de objectos as sensações de forte e de fraco.
  • A vivência do timbre: identificação dos sons do meio ambiente numa primeira fase e a posterior associação de diferentes instrumentos a animais ou cores ou outra qualquer forma de sistematizar e classificar a distinção. Podem ainda ser associados à própria imagem do instrumento ou ao gesto adoptado para o praticar.
  • A vivência da pulsação ou de "tempo": caminhando, saltando, gatinhando, balançando, arremessando, ou acompanhando com maracas ou outros instrumentos de qualquer peça musical.
  • A utilização de pequenas canções, rimas e lenga-lengas: com a preocupação de conterem essencialmente monossílabos que comecem a ser reproduzíveis.
  • A utilização de pequenas histórias musicais: desde que a música tenha um papel pictórico importante e não secundário em relação à história.

 

 

 

Retirado de:

Foco Musical

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publicado por olharovazio às 22:17