O movimento da escola moderna é um modelo pedagógico que assenta numa prática democrática da gestão das actividades, dos materiais, do tempo e do espaço e pretende, através da acção dos educadores que dele fazem parte, proporcionar uma vivência democrática e um desenvolvimento pessoal e social das crianças, garantindo a sua participação na gestão da vida da sala e da escola. Esta gestão é apoiada por instrumentos de pilotagem, registo e avaliação, tais como: mapa de presenças, mapa de actividades, mapa de tarefas, comunicações, plano semanal, lista de projectos e o diário de parede. Este último é um instrumento mediador e operador da regulação social do grupo e interactiva que uma educação cooperada ou democrática pressupõe. No diário escrevem-se as ocorrências negativas e positivas do grupo, o não gostei e o que gostei, que queremos fazer e o que fizemos. No final da semana o diário é lido, conversado e reflectido em grupo e a partir daqui constroem-se por exemplo as regras de convivência. No dia-a-dia da sala, temos momentos de reunião, adultos e crianças, à volta da mesa em que planeamos o trabalho a ser realizado, em que partilhamos saberes, em que avaliamos trabalhos, tarefas e atitudes, em que comunicamos descobertas e aprendizagens.


O espaço educativo está organizado por zonas de trabalho de modo a permitir que as crianças realizem actividades previamente escolhidas e por uma área polivalente para trabalho colectivo. A escolha e realização das actividades pressupõe um compromisso e uma responsabilização por parte delas. Os materiais encontram-se ao alcance e à sua disposição para que elas possam estar nas zonas de trabalho sozinhas, em pares ou em pequeno grupo. Todo o espaço da sala é enriquecedor com as produções das crianças que retratam e dão sentido à vida do grupo, apoiam as aprendizagens, sugerem e provocam projectos. Um dos pontos importantes deste modelo pedagógico é que é uma aprendizagem curricular feita essencialmente através de Projectos. Estes projectos podem ser de produção: “queremos fazer”, de pesquisa: “queremos saber” ou de intervenção:”queremos mudar”. O ponto de partida de um projecto deverá ser os interesses das crianças e as interrogações por elas levantadas. Deste modo pretende-se que as aprendizagens conseguidas sejam significativas e pertinentes. Estas aprendizagens realizam-se duas a duas ou em pequenos grupos. Assim, adquirem hábitos de questionamento e intervenção de uma forma activa, problematizando a realidade: “porque não podemos gastar muita água” , “como é que a água chega às nossas casas?”.

Do desenvolvimento do projecto faz parte a consulta de livros e outras fontes de pesquisa, execução das actividades, conversa e reflexão entre os membros do grupo de trabalho. A família tem um papel importante na concepção de um projecto, pois é com certeza um dos recursos de informação.
Um dos princípios estratégicos da intervenção educativa do MEM é a partilha de saberes e de produções culturais das crianças através de “Comunicações” como uma validação social do trabalho de produção e de aprendizagem. Isto quer dizer que sempre que um projecto termina existe um momento de comunicação ao grande grupo, e de seguida, um momento de reflexão de grande grupo sobre “o que é que nós aprendemos com este projecto”.

As comunicações permitem que a criança organize mentalmente as suas aprendizagens, de forma a preparar o seu discurso oral para comunicar.

 

Em: Educação de Infância

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publicado por olharovazio às 17:03