A criança e a sua percepção do mundo: o teatro e a realidade

 

A criança capta a realidade como um mundo onde tudo se confunde, como um mundo à sua imagem, pois é incapaz de ir para além do seu ponto de vista. Ao contrário do adulto, tem dificuldade em "desligar-se" do seu meio, quando fala só fala acerca da sua pessoa. A criança é, portanto, egocêntrica porque, numa fase inicial, vive o seu meio biologicamente, afectivamente, mas não o conhece realmente. Por isso, o teatro vai auxiliá-la na tomada de consciência de si própria, fazendo-a viver, descobrir, conhecer e dominar o mundo exterior.

A criança não distingue a aparência da realidade, o seu realismo intelectual é tal qual ela o imagina, ao invés de ser tal como o vê. O seu realismo perceptivo torna-a ainda pouco capacitada para distinguir o real do imaginário. Através da representação teatral, a criança tomará consciência desta diferença (real/imaginário). Num momento de expressão dramática, o imaginário será real, mesmo sendo apenas durante aquele período de tempo, o que vai de certo modo de encontro ao tipo de percepção real/imaginário da criança: quando represento o papel de Cinderela, sou a Cinderela.

A criança tomará consciência do retorno à realidade, por isso sofrerá uma evolução psicológica: depois do momento teatral, ao deixar de ser a CInderela ou o princípe.

 

In: Jogos de Expressão Dramática na Pré-escola

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publicado por olharovazio às 21:32