Aldeia dos Pequeninos

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Segunda-feira, 27 / 12 / 10

A história do rato Dentolas

 

Hoje vou contar-vos uma história, a história do Rato Dentolas; ou seja, a minha história: a história de um ratinho trabalhador.
Toda a minha família e eu vivíamos numa pequena casa: sim, o papá rato Dentolas e a mamã rata Anita.
A nossa casa era como todas as casas de ratinhos: um buraquinho (nem muito grande nem muito pequenino) para que nenhum gato nos pudesse apanhar.
Dentro havia rolinhos de lã que nos serviam de abrigo no Inverno, pedacinhos de jornal para que o papá soubesse sempre o que se estava a passar no mundo, queijinhos duros, brancos, com buracos e sem buracos (são os nossos preferidos).
Um dia tive uma ideia: mudar-nos! Mas para uma casa diferente das outras.
Uma casa muito grande, cómoda, limpa e muito branca.
Pensei, pensei, e decidi que o melhor seria ir viver para um castelo. Fui a correr, contei à minha família;
todos saltaram e abanaram os seus rabinhos com alegria.
Teríamos um castelo só para nós, sem gatos e com muitos queijinhos!
Então surgiu o grande problema: como é que o havíamos de construir?

A mamã pensou:
- Com algodão, mas… ia durar muito pouco.
O papá disse:
- Com papel! Não… voaria rapidamente.
Nesse momento ocorreu-me uma ideia genial: propor a todas as crianças do mundo que, quando lhes caíssem os dentes, mos entregassem a mim, para poder construir com eles o melhor e mais branco castelo jamais visto ou imaginado antes.
Isso sim, mas com uma condição: como sou muito tímido, os dentes que vos caírem, deverão deixá-los debaixo da almofada, para que quando estiverem a dormir, eu possa passar para ir buscá-los muito devagarinho e sem fazer nem um pequeno ruídinho. Mas, atenção!
Como somos ratos agradecidos e gostamos de fazer surpresas, vão ver que vou levar o dente mas vou deixar algo em troca.
O quê! Ah! Não, não se diz; se o dissesse, deixaria de ser uma surpresa.
Sabem uma coisa? Gostava que o meu castelo fosse o maior, que os vossos dentijolos ( dentes que são tijolos) estivessem sempre limpos, fortes e muito bem cuidados. Por isso lembrem-se de mim e cuidem bem deles, escovando-os como deve ser, não comendo demasiados doces e visitando o dentista.

E lembrem-se de que:
” Já no tempo dos meus avózinhos, o rato Dentolas juntava dentinhos.
Por isso, como disse o meu tio Martim, este é um castelo que não tem fim.”

 

De: Paty Bzel

 

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publicado por olharovazio às 22:29
Sexta-feira, 24 / 12 / 10

Movimento da Escola Moderna

 


O movimento da escola moderna é um modelo pedagógico que assenta numa prática democrática da gestão das actividades, dos materiais, do tempo e do espaço e pretende, através da acção dos educadores que dele fazem parte, proporcionar uma vivência democrática e um desenvolvimento pessoal e social das crianças, garantindo a sua participação na gestão da vida da sala e da escola. Esta gestão é apoiada por instrumentos de pilotagem, registo e avaliação, tais como: mapa de presenças, mapa de actividades, mapa de tarefas, comunicações, plano semanal, lista de projectos e o diário de parede. Este último é um instrumento mediador e operador da regulação social do grupo e interactiva que uma educação cooperada ou democrática pressupõe. No diário escrevem-se as ocorrências negativas e positivas do grupo, o não gostei e o que gostei, que queremos fazer e o que fizemos. No final da semana o diário é lido, conversado e reflectido em grupo e a partir daqui constroem-se por exemplo as regras de convivência. No dia-a-dia da sala, temos momentos de reunião, adultos e crianças, à volta da mesa em que planeamos o trabalho a ser realizado, em que partilhamos saberes, em que avaliamos trabalhos, tarefas e atitudes, em que comunicamos descobertas e aprendizagens.


O espaço educativo está organizado por zonas de trabalho de modo a permitir que as crianças realizem actividades previamente escolhidas e por uma área polivalente para trabalho colectivo. A escolha e realização das actividades pressupõe um compromisso e uma responsabilização por parte delas. Os materiais encontram-se ao alcance e à sua disposição para que elas possam estar nas zonas de trabalho sozinhas, em pares ou em pequeno grupo. Todo o espaço da sala é enriquecedor com as produções das crianças que retratam e dão sentido à vida do grupo, apoiam as aprendizagens, sugerem e provocam projectos. Um dos pontos importantes deste modelo pedagógico é que é uma aprendizagem curricular feita essencialmente através de Projectos. Estes projectos podem ser de produção: “queremos fazer”, de pesquisa: “queremos saber” ou de intervenção:”queremos mudar”. O ponto de partida de um projecto deverá ser os interesses das crianças e as interrogações por elas levantadas. Deste modo pretende-se que as aprendizagens conseguidas sejam significativas e pertinentes. Estas aprendizagens realizam-se duas a duas ou em pequenos grupos. Assim, adquirem hábitos de questionamento e intervenção de uma forma activa, problematizando a realidade: “porque não podemos gastar muita água” , “como é que a água chega às nossas casas?”.

Do desenvolvimento do projecto faz parte a consulta de livros e outras fontes de pesquisa, execução das actividades, conversa e reflexão entre os membros do grupo de trabalho. A família tem um papel importante na concepção de um projecto, pois é com certeza um dos recursos de informação.
Um dos princípios estratégicos da intervenção educativa do MEM é a partilha de saberes e de produções culturais das crianças através de “Comunicações” como uma validação social do trabalho de produção e de aprendizagem. Isto quer dizer que sempre que um projecto termina existe um momento de comunicação ao grande grupo, e de seguida, um momento de reflexão de grande grupo sobre “o que é que nós aprendemos com este projecto”.

As comunicações permitem que a criança organize mentalmente as suas aprendizagens, de forma a preparar o seu discurso oral para comunicar.

 

Em: Educação de Infância

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publicado por olharovazio às 17:03
Segunda-feira, 20 / 12 / 10

Como fazer um enfeite de Natal (botinha)

Aqui vai um video onde é explicada a forma de fazer uma simpática botinha para as crianças colocarem as prendinhas.

Espero que gostem. Se fizerem algo do género, partilhem aqui. 

 

 

 

 

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Domingo, 19 / 12 / 10

Feliz Natal!!!

 

Espero que todos tenham um grande Natal e um óptimo Ano Novo.

Que o ano de 2011 traga muitas coisas boas (sendo uma delas muita vontade para trabalhar com o melhor do mundo que são as crianças)

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publicado por olharovazio às 22:28
Sábado, 18 / 12 / 10

Música para bebés

 

Factores cognitivos, afectivos, psicomotores, bem como os actuais contextos sociais e culturais exigem progressiva e inevitavelmente uma formação musical integrada na educação global da criança através de diferentes objectivos gerais e específicos, contributivos para o seu crescimento e desenvolvimento a todos os níveis.

A audição é provavelmente o primeiro sentido a ser desenvolvido logo no ventre materno. Tal como acontece relativamente à visão, em que os primeiros meses de vida, quando a criança começa a diferenciar as cores se devem activar os estímulos oferecendo-lhe um ambiente rico em cores vivas e diversificadas, a mesma diversificação deve ser oferecida do ponto de vista auditivo com o objectivo de estimular essa mesma capacidade de diferenciação, para que a criança não venha a sofrer de uma espécie de daltonismo musical quando adulta. Urge desta forma alargar o espectro de referências da criança através de:

 

  • Exemplos musicais curtos - 10 a 15 segundos para captar a sua verdadeira concentração, independentemente da função terapêutica que possa ter a chamada "música de fundo".
  • Exemplos musicais contrastantes, do ponto de vista do andamento e da intensidade para que a mesma concentração não se desvaneça ao fim do segundo ou do terceiro exemplo.
  • Oferta musical estilisticamente variada: música de diferentes estilos e épocas para que tenha acesso a diferentes linguagens.
  • Música de densidade variada: grandes orquestras, pequenos ensembles, instrumentos solistas, vozes humanas, etc.
  • Música ao vivo sempre que possível.

Na impossibilidade de acesso a música ao vivo, cabe ao professor esse papel, principalmente através do canto. Julga-se ser a voz humana o veículo privilegiado para captar a atenção de um recém-nascido, pela aproximação tímbrica daquilo que lhe poderá ser mais familiar: a voz da mãe ou do pai. No entanto, todos os timbres que o professor possa oferecer à criança são bem-vindos. Assim, o professor de música, enquanto artista privado dos bebés, deverá sempre que possível:

 

  • Cantar pequenas melodias construídas em linguagens diversificadas, nunca se limitar ao sistema tonal, oferecer igualmente melodias modais e atonais.
  • Cantar as mesmas melodias em monodia ou acompanhadas por um instrumento ou suporte gravado.
  • Oferecer pequenas melodias em instrumentos variados: flauta de bisel, guitarra, jogo de sinos, xilofone.
  • Oferecer também timbre de instrumentos de altura indefinida: brinquedos musicais, instrumentos de percurssão Orff, etc.

 

 

A partir do segundo ano de vida, o trabalho com as crianças desta idade deve ter a preocupação de proporcionar:

 

  • A vivência do andamento: movimentos constrastantes rápidos e lentos sempre adequados à música que estamos a ouvir.
  • A vivência da altura do som: movimentos ascendentes para os sons agudos e descendentes para os sons graves.
  • A vivência da intensidade: gestos que retratem corporalmente e/ou com auxílio de objectos as sensações de forte e de fraco.
  • A vivência do timbre: identificação dos sons do meio ambiente numa primeira fase e a posterior associação de diferentes instrumentos a animais ou cores ou outra qualquer forma de sistematizar e classificar a distinção. Podem ainda ser associados à própria imagem do instrumento ou ao gesto adoptado para o praticar.
  • A vivência da pulsação ou de "tempo": caminhando, saltando, gatinhando, balançando, arremessando, ou acompanhando com maracas ou outros instrumentos de qualquer peça musical.
  • A utilização de pequenas canções, rimas e lenga-lengas: com a preocupação de conterem essencialmente monossílabos que comecem a ser reproduzíveis.
  • A utilização de pequenas histórias musicais: desde que a música tenha um papel pictórico importante e não secundário em relação à história.

 

 

 

Retirado de:

Foco Musical

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publicado por olharovazio às 22:17
Terça-feira, 14 / 12 / 10

Abordagem da Matemática na Educação Pré-escolar

A abordagem da Matemática na Educação Pré-escolar


Trabalhar a Matemática com as crianças pequenas num contexto institucional, com por exemplo os Jardins de Infância, exige o conhecimento dos fundamentos educativos e dos objectivos pedagógicos presentes nas Orientações Curriculares, que, assim como qualquer outra disposição curricular, está dependente de diversos factores.

Por outro lado, o ensino e o currículo educativo estão dependentes dos contextos educativos, exigindo dos educadores e dos professores a pesquisa de todas as fontes disponíveis e ainda a transformação do que é mais relevante e interessante para a comunidade em que se inserem. Apesar disso, existe um conjunto de aspectos a ter em consideração no ensino e na aprendizagem da Matemática, em qualquer nível escolar ou pré-escolar e que são comuns a muitos sistemas educativos.  É o caso da importância atribuída à compreensão daquilo que as crianças e jovens aprendem, o que torna necessária a criação de ambientes educativos que promovam o desenvolvimento de diferentes processos e experiências matemáticas.

 

Objectivos gerais pedagógicos


De acordo com o que é referido nas Orientações Curriculares, é necessário, para haver um ambiente de aprendizagem satisfatório, seja em que domínio for, que se respeitem fundamentos como por exemplo o desenvolvimento e aprendizagem como vertentes indissociáveis, o reconhecimento da criança como sujeito do processo educativo, a construção articulada do saber e a exigência de resposta a todas as crianças.

Estes fundamentos são claros no que diz respeito à criança como sujeito activo na construção da sua compreensão matemática. Deste modo, “as crianças devem ter oportunidade de explorar tarefas onde possam inventar, conjecturar e resolver problemas, comunicando aos outros as suas estratégias de resolução” pois “as novas informações são incorporadas nos seus modelos, levando-as a reformular conceitos e a modificar as suas próprias idéias matemáticas” (Moreira & Oliveira,2004, p.27).

 

 

Processos Matemáticos

Um dos objectivos principais da educação matemática é levar a que todos os alunos aprendam a forma como as pessoas descobrem factos e métodos, sendo bastante importante que uma parte do tempo de aprendizagem seja dedicada a este aspecto.

(...) Trabalhar matemática com as crianças pequenas é precisamente desenvolver hábitos de pensamento e, apesar destas ainda não serem capazes de deduzirem de forma a que seja entendido matematicamente, estão já aptas a produzir conjecturas e a defendê-las segundo o seu ponto de vista.

(...) a actividade matemática envolve diversos processos. Uma parte destes, como por exemplo o cálculo, as operações e as medições merecem ter destaque no ensino, desde os níveis elementares. No entanto, outros processos, como a ordenação e a classificação, devem ser trabalhados desde o pré-escolar, em conjunto com a exploração de idéias que incluam o numero e relações quantitativas tais como o espaço, a forma e os padrões.

 

Classificação e ordenação:


Estes dois processos que reúnem grande importância em níveis pré-escolares, pois têm um papel fundamental na emergência de competências numéricas e geométricas e também no desenvolvimento de capacidades de observação e organização quando são propostas actividades para encontrar e formar padrões. Os conceitos de classificação e comparação que as crianças possuem podem ser, de forma natural, relacionados com padrões e relações.

(...)No que diz respeito à classificação, para que saiba classificar, é necessário que a criança seja capaz de incluir um objecto num determinado conjunto, tendo em conta determinadas propriedades.  Para que isso aconteça, a criança tem de conseguir identificar propriedades nos objectos que a rodeiam. É essencial que tome consciência de que, por vezes, é possível classificar de diferentes formas, de acordo com as propriedades.

A classificação é fundamental para a formação de conjuntos, ou seja, no agrupamento de objectos de acordo com um critério como por exemplo a cor, a forma, a utilidade, reconhecendo assim semelhanças e diferenças de modo a estabelecer relações de pertença entre diferentes objectos e as propriedades identificadas.

As crianças reconhecem e discriminam de forma espontânea pequenos números de objectos. Com efeito, classificar o ambiente que a rodeia é algo que aprende a fazer desde que nasce, pois todos os sistemas culturais, de várias maneiras, segmentam o mundo em categorias de objectos e de pessoas.

Na verdade, classificam o mundo tendo em conta o modo como o interpretam e estas classificações, partilhadas entre os seus membros, são transmitidas às crianças. No fundo, classificar faz parte da socialização da criança e da sua aprendizagem cultural.

Quanto à ordenação de objectos, esta corresponde a dispô-los tendo em conta uma qualidade para a qual é possível considerar uma efectividade maior ou menor (com uma ordem ascendente ou descendente). A comparação de dois objectos é a forma mais simples de ordenar. No entanto, comparar mais do que três objectos simultaneamente torna-se complexo, exigindo um certo faseamento até que a criança seja capaz de o fazer através de um procedimento sistemático.

Ainda na ordenação, é importante que as crianças reconheçam as propriedades em que se baseiam para proceder a uma classificação ordenada de gradações relacionadas com diferentes qualidades de objectos, como por exemplo a altura.

Ordenar uma seqüência de acordo com um atributo, consiste em ser capaz de referir os elementos da seqüência, de modo a que se reconheça um precedente e um sucessor. O comprimento, o peso, a capacidade são exemplos de atributos.

 

 

Novas tecnologias, Matemática e Educação Pré-escolar


A controvérsia que inicialmente se gerou acerca das vantagens e desvantagens do uso do computador por crianças pequenas tem vindo a atenuar-se. Na verdade, a tecnologia tem nos dias de hoje um papel de extrema importância nas nossas vidas, estando também cada vez mais presente na vida das crianças, tanto em casa como nos contextos educativos como por exemplo a escola e o jardim de infância, podendo tornar-se um instrumento educativo de relevo.

Conforme as Orientações Curriculares referem “A utilização dos meios informáticos, a partir da educação pré-escolar, pode ser desencadeadora de variadas situações de aprendizagem, permitindo a sensibilização a um outro código, o código informático, cada vez mais necessário. Este pode ser utilizado em expressão plástica e expressão musical, na abordagem ao código escrito e na matemática.” (Silva & Pré-escolar citado em Moreira & Oliveira, 2004,p.156).

Várias investigações têm demonstrado que as crianças, especialmente as de idade pré-escolar podem utilizar de forma adequada os computadores, não correndo o risco de se isolarem, ao contrário do que se temia, parecendo até que este instrumento de ensino pode ajudar a criar situações de interacção entre elas, promovendo comportamentos de inter-ajuda e de tutoria entre pares.

Quanto à área curricular que mais potencia a utilização de computadores, de acordo com o que assinala Martí (1992) citado em Moreira & Oliveira (2004), essa área é a das matemáticas. Na verdade, a matemática e a linguagem informática apresentam-se como sistemas simbólicos, nos quais se encontram pontos de convergência. Ambas as áreas usam conceitos com um grau de abstracção elevado, com uma simbologia própria, distante da linguagem natural, assentando em regras de dedução e cálculo.

Segundo o mesmo autor, o que o computador traz de inovador à aprendizagem da matemática é o seguinte:

  • Propricia a resolução de problemas, aliada à interactividade e à motivação intrínseca: a resolução de problemas é uma das competências mais importantes da matemática, que deve ser desenvolvida desde o jardim de infância.
  • Favorece a comunicação entre alunos e entre alunos e professores: os computadores, devido à sua configuração, tornam mais fácil o trabalho de grupo, na medida em que o ecrã possibilita por um lado a visibilidade conjunta do avanço de determinada tarefa e o teclado e o rato possibilitam, por sua vez, uma manipulação partilhada. Estas possibilidades estimulam a comunicação e a troca de ideias sobre o que vai sendo realizado, o que pode ao mesmo tempo facilitar a aprendizagem matemática, uma vez que evita a criação de bloqueios e erros sistemáticos, que são mais frequentes num trabalho individualizado.
  • Conduz à manipulação de símbolos: o uso do computador pressupõe uma utilização de um sistema de notação simbólica. (…) estas características ligadas ao uso do computador estão relacionadas com as particularidades da notação matemática.
  • Estabelece a correspondência entre diferentes sistemas simbólicos: a exigência e rigor que são característicos da notação matemática e que se fundem com o rigor exigido pela utilização dos computadores é seguida de perto, no que diz respeito à matemática, pela necessidade de apreender a correspondência existente entre códigos matemáticos e códigos não matemáticos.
  • Articula os aspectos declarativos e procedimentais do conhecimento: todo o tipo de conhecimento, especialmente o conhecimento matemático, é caracterizado pela interacção entre os aspectos declarativos ou conceptuais do conhecimento (relativos a significados relacionados e organizados, como por exemplo saber que um quadrado é uma figura fechada, com 4 lados iguais e ângulos de 90 graus) e os conhecimentos procedimentais, relativos a regras de acção que levam a um determinado resultado (por exemplo desenhar um quadrado). O meio informático favorece a articulação entre ambos, quer por assumir uma parte do trabalho realizado quer por apresentar situações que traduzem procedimentalmente os conhecimentos do aluno de tipo declarativo.  

 

in: Moreira, D. & Oliveira, I., O jogo e a Matemática, 2004, Universidade Aberta, Lisboa

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publicado por olharovazio às 21:20
Sábado, 11 / 12 / 10

O cavalinho branco

 

 

Era uma vez um cavalinho branco. Mas não era todo branco o cavalinho branco. Tinha estrelas azuis, muitas estrelas azuis espalhadas por todo o corpo e uma estrela maior no lugar do coração. Era um cavalinho branco às estrelas azuis.

 

Roda, roda, roda

na grande roda o cavalinho.

Roda, roda, roda

Corpo de estrelas, flor no focinho.

 

Não seria bem uma flor, mas quase. Parecia mesmo uma flor. Só um cavalo especial, um cavalo raro, pode assim mostrar uma flor no focinho e tantas estrelas azuis pelo corpo todo.

Este era um cavalo especial, um cavalo de carrossel.

Não andava contente com a sua vida, o cavalinho branco às estrelas azuis. Aquilo de ter de fingir que trotava, sempre à roda, sempre à roda, aborrecia-o. O barulho da música gritada pelos altifalantes e as vozes dos homens que apregoavam farturas e as luzes que baloiçavam dos fios e tremiam, tremiam, e o carrossel, dia e noite, a rodar, a rodar, mais uma volta e mais outra e outra — uf! — punham a cabeça do cavalinho branco também às voltas.

Não aguento mais estas tonturas — dizia o cavalinho branco. — Vou mudar de vida.

E mudou.

Correu pelos campos, saltou valados, chapinhou nos regueiros e bebeu a água fresca das fontes. Bem bom.

Mas um cavalinho branco às estrelas azuis, para mais em liberdade, acaba por dar nas vistas. Foi o que lhe sucedeu.

Um senhor de grande bigodes retorcidos, botas de montar e chapéu alto, como já ninguém usa, viu-o, uma vez, e gritou-lhe de longe:

— Eh, cavalinho, queres um torrão de açúcar?

Ele queria e veio buscá-lo. Então o senhor que usava botas de montar fez-lhe uma festa no pescoço e disse:

— Anda comigo que, mais logo, quando chegarmos ao circo eu dou-te o açúcar…

Lá foram, o cavalinho num trote curto de cavalinho bem disposto e o senhor de bigodes retorcidos a retorcê-los ainda mais, muito sisudo.

Quando chegaram ao circo, o senhor dos bigodes meteu o cavalinho numa espécie de jaula e disse-lhe assim:

— Logo, quando terminar o espectáculo, se tudo correr bem, dou-te o torrão de açúcar.

Um dos números mais aplaudidos do espectáculo era o do ilustre cavaleiro Arnaldo de Aguinaldo e os seus cavalos amestrados. Os cavalos emplumados e de arreios dourados trotavam à volta da pista, saltavam ao arco, dançavam ao som de uma valsa e ficavam muito quietos, como se fossem estátuas, quando o ilustre cavaleiro Arnaldo de Aguinaldo fazia estalar o chicote, de certa maneira. Eram, aqui fica dito, cavalos muito bem mandados.

Nessa noite, havia um número novo, um cavalinho engraçado, que o domador Arnaldo de Aguinaldo esperava que viria a ser a “estrela” mais brilhante da companhia. E com razão, pois então! Sim, porque não fazia sentido que um cavalinho branco, com o corpo coberto de estrelas, não fosse a “estrela” maior da companhia…

Dava gosto vê-lo, ao cavalinho, a trotar à roda, à roda, sempre à roda da pista, e o senhor cavaleiro Arnaldo de Aguinaldo no meio, de braços abertos, com o chicote numa das mãos e o chapéu alto na outra, como se quisesse dizer: “Admirem, excelentíssimos senhores, as maravilhas que eu tenho para mostrar. Isto vale ou não vale o preço de um bilhete?”

 

Roda, roda, roda

roda que roda num redemoinho

roda, roda, roda

finge que voa o cavalinho.

 

Pois fingia, realmente, mas não voava. Que triste sina esta a do cavalo branco às estrelas azuis. Não bastavam as voltas que tinha dado, e tantas, no carrossel?

Noites e noites rodou, trotou, dançou na pista do circo… Até que um dia se fartou.

— Chega — disse o cavalinho e pôs-se a andar de ali para fora.

Nem o torrão de açúcar, sempre prometido, sempre adiado, foi reclamar. Dali não levava nada.

Voltou a correr pelos campos, a saltar valados, a chapinhar nos regueiros… Que bom!

Mas, ao que dizem, o que é bom não dura sempre… Um dia, um lavrador que o vira saltar para dentro da herdade, correu atrás dele e, com algum custo, prendeu-o a uma nora. Mas primeiro tomou o cuidado de lhe tapar os olhos com uma venda.

— Por causa das tonturas — explicou ele.

Isso que fazia? Tanto já o cavalinho tinha andado à roda, que se tinha curado das tonturas. Do que não gostava era de andar sempre a pisar o mesmo caminho. Não haveria outro emprego para um cavalo branco com estrelas azuis?

 

Roda, roda, roda

na giga-joga o cavalinho

roda, roda, roda

e sempre à roda mói o caminho.

 

Talvez fosse possível arranjar outra profissão mais agradável. Qual seria? Deu voltas e voltas e decidiu desempregar-se mais uma vez, sem dar contas a ninguém. Libertou-se da nora, nem sabemos como, e tomou por uma estrada que a algum sítio devia levar.

Pelo mesmo caminho ia um cavalo castanho a puxar uma carroça.

“E se eu fosse também um cavalo de carroça?”, pensou o cavalinho branco às estrelas azuis.

Olhou para o cavalo castanho e viu-o tão triste e tão atormentado pelas moscas, que desistiu.

Em sentido contrário vinha um esquadrão de cavalaria da Guarda Republicana. Que lindos cavalos e que imponentes cavaleiros! “E se eu fosse atrás deles?”, lembrou-se o cavalinho.

Mas o suor escorria do pescoço dos cavalos. Era de tanto terem galopado. E — reparou ainda o cavalinho — as estrelas de metal que os cavaleiros traziam nas botas deixavam um rasto sangrento na barriga dos cavalos. Chamavam àquilo as esporas…

“Ah, sendo assim já não vou”, decidiu o cavalinho branco às estrelas azuis.

Continuou o seu caminho. Foi ter a uma cidade e a um grande largo onde um cavalo de bronze reluzia à luz do sol.

O cavalinho, ao vê-lo, exclamou:

— Ora aqui está um emprego que me calhava. Ninguém nos incomoda e, uma vez por outra, até nos tiram um retraio.

Respondeu-lhe, de cima do seu pedestal, o cavalo de bronze:

— Nem penses nisso. Estou aqui à chuva e ao sol, todo o tempo, e com uma pata no ar, sempre na mesma posição, a fingir que ando, mas não ando, e tu ainda achas que o emprego é bom!? Sonha com outra coisa, mas nunca queiras ser estátua.

Então que havia ele de ser? Sim, que modo de vida podia convir a um cavalinho branco às estrelas azuis?

Deu voltas à cidade, deu voltas à cabeça e, por fim, mirando a montra de uma casa de brinquedos, descobriu a sua vocação — iria ser cava­lo de brincar. Postou-se à porta, ao lado dos cavalos de pasta e dos cavalos de madeira e esperou que alguém o quisesse levar. Não esperou muito.

 

O cavalinho branco às estrelas azuis anda agora nas suas sete quintas. É, agora, cavalo de baloiço, cavalo de balancé… Emprego melhor não conhece. Finge que é cavalo de carrossel, cavalo de carroça, cavalo da Guarda, cavalo de circo, mas é apenas um brinquedo nas mãos de um menino. Bem bom.

 

António Torrado
Trinta por uma linha
Porto, Civilização Editora, 2008

 

 

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publicado por olharovazio às 22:26
Sábado, 11 / 12 / 10

Varicela

 

 

 

  • Vírus varicela-zoster
  • Mais frequente entre os 2 e os 8 anos
  • Pode ocorrer todo o ano
  • Transmissão por via área e por contacto directo
  • Período de incubação: 2 semanas
  • Exantema (marcas no corpo) composto por máculas,pápulas,vesículas e crostas
  • Existem lesões em diferentes estádios
  • Atinge quase sempre o couro cabeludo e as mucosas
  • Na criança a evolução é geralmente benigna
  • Não necessita de tratamento com aciclovir a não ser nos imunodeprimidos, adolescentes, adultos, contágio intrafamiliar ou alterações do estado geral

In: Apontamentos de Saúde Infantil

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publicado por olharovazio às 21:44
Sexta-feira, 10 / 12 / 10

Linhas gerais da Metodologia João de Deus

 

 

Organização do espaço e materiais:


Existe um bom ambiente físico e humano com decoração simples mas onde a arte tem presença. Valoriza-se uma arquitectura funcional e atraente de características nacionais e regionais, em que a identidade cultural é valorizada. Existem diversos materiais para as actividades programadas em cada dia: para a educação sensorial, perceptiva, motora e física integrando ainda materiais naturais recolhidas pelas crianças no recreio e/ou nos passeios; materiais para os trabalhos manuais e actividades plásticas, livros e imagens e toda a documentação necessária para os “Temas de Vida”; materiais de apoio para a aprendizagem da matemática como o Cuisinaire, Blocos lógicos. Tangran, Calculador multibásico, Dons de Froebel. Para os mais pequenos existem materiais para imitar: para aprender a viver e integrar-se no meio social: a Loja, a Casa das bonecas e os Jogos de trânsito.

 

Organização do tempo:


Cada grupo etário tem a sua organização do tempo. Nomeadamente o grupo dos 5 anos tem diariamente lição de cartilha maternal e exercícios de matemática. A Rotina Diária poderá contemplar os seguintes tempos:
- Acolhimento,
- Cumprimentar, cantar, falar com as crianças e deixá-las falar,
- Actividades de Livre Escolha (preparadas na sala),
- Tema de Vida (diapositivos, imagens…) acompanhado de um bom diálogo com toda a documentação real possível onde caibam pequenas experiências,
- Exercícios de movimento e de relax,
- Jogos de mesa/exercícios de matemática: Cuisenaire, Palhinhas, Blocos lógicos, Tangran, Calculador multibásico, Dons de Froebel,
- Exercícios de memória visual, através de jogos musicais mimados e rítmicos,
- Higiene e Almoço (colaboração das crianças em tarefas: pôr a mesa; arrumar o guardanapo, etc.),
- Higiene/Repouso/Recreio,
- Actividades de expressão e trabalhos manuais,
- Lanche,
- Apoio sócio educativo: brincadeira livre; jogos de mesa; filmes.

 

Planeamento e Avaliação


Os educadores planeiam diariamente de acordo com os objectivos para cada grupo etário e a avaliação que realizam é feita tendo em conta a individualidade de cada criança e a programação efectuada.

 

Trabalho com as Famílias e a Comunidade


Os pais para além dos encontros e reuniões programadas são também convidados a colaborar em algumas actividades organizadas e em participarem em festas e eventos.

 

As crianças do Jardim-Escola são acompanhadas pela Educadora, de uma forma permanente ao orientar o seu dia, ao transmitir-lhes segurança e confiança; a Educadora é a referência pela função primordial no ambiente que proporciona na sala de aula. É objectivo no seu planeamento de trabalho valorizar, desenvolver e avaliar o desempenho das suas crianças de forma diversificada, onde as relações afectivas e os estímulos positivos são presença constante. A autonomia é também um objectivo primordial neste Modelo pedagógico, para um crescimento pessoal e social que permita às crianças enfrentarem desafios e mudanças que lhes surjam no presente e no futuro. De um modo quase sistemático a Área de Formação Pessoal e Social é trabalhada, E como área transversal que é a todas as outras áreas, é trabalhada pela educadora com as crianças constantemente.

A Cartilha Maternal é um dos recursos utilizados no processo aprendizagem-formação. É o cartão-de-visita deste modelo educativo, que promove um interesse e envolvimento na descoberta da leitura, no sentido restrito da descodificação como no sentido mais amplo da compreensão. Já João de Deus referia: “Ler é compreender”.

Também a matemática é trabalhada nos Jardins Escolas desde os 3 anos de idade. As crianças interagem com a matemática de uma forma concreta e experimentada através do uso e manipulação de materiais didácticos de apoio como sejam os Calculadores Multibásicos, os Dons de Froebel, o material Cuisenaire, o Tangram, o Geoplano e os Blocos Lógicos. A área das expressões motora, dramática, plástica e musical são igualmente valorizadas

Para além destes objectivos está subjacente ao Modelo Pedagógico João de Deus, desenvolver valores, promover o brincar, estimular a iniciativa e a criatividade, favorecer um trabalho de interacção, despertar o espírito de tolerância e liderança.

 

 

in: Educação de Infância

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publicado por olharovazio às 22:00
Quarta-feira, 08 / 12 / 10

Pedagogia Waldorf

O que é?


A pedagogia Waldorf é um movimento mundial que de uma forma geral se pode caracterizar por ter uma forte abordagem multicultural, que torna as crianças mais autónomas e responsáveis, com uma grande consciência étnica e respeito pela diversidade, procurando activamente formas de se integrar e participar na sociedade.

Fundada por Rudolf Steiner em 1919, em Estugarda, na Alemanha, inicialmente através de uma escola para os filhos dos operários da fábrica de cigarros Waldorf-Astória, a pedagogia de Waldorf distinguiu-se desde o início por ideais e métodos pedagógicos até hoje considerados revolucionários.

Mais do que uma pedagogia, é também um método e uma atitude que tem a ver com uma forma global de encarar o mundo.

 

Qual a sua origem?

 

Em 1919, em Stuttgart, na Alemanha, Rudolf Steiner - filósofo, cientista e artista austríaco - foi convidado por Emil Molt, o proprietário da Fábrica de cigarros Waldorf-Astoria, para uma série de palestras para os trabalhadores de sua fábrica.

Como resultado, os trabalhadores pediram a Steiner que fundasse e dirigisse uma Escola para seus filhos. Emil Molt, apoiava e financiava a na concretização da ideia.

Steiner concordou, mas colocou 4 condições: a primeira era a de que a Escola seria aberta, indistintamente, para todas as crianças; a segunda de que a Escola fosse co-educacional; deveria também ser uma escola com um currículo unificado de 12 anos e, por último, que os professores da Escola fossem também os dirigentes e administradores da mesma. Queria que a Escola Waldorf tivesse o mínimo de interferência governamental e não tivesse preocupação com objetivos lucrativos.

Emil Molt concordou e em 7 de setembro de 1919 foi aberta a primeira ”Escola Waldorf Livre”.

 

Quais as suas particularidades?

 

Se fosse possível resumir numa frase, diríamos que "nosso mais alto empenho deve ser o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direcção às suas vidas".
A principal meta de uma Escola Waldorf é desenvolver na criança "cabeça, coração e mãos" através de um currículo que equilibra actividades escolares variadas.
Este currículo insere música (flauta doce, contralto, orquestra e coral); artes (aguarela, marcenaria, modelagem e escultura em argila, desenho em preto e branco e perspectiva, fotografia, batik, estamparia, mosaico, tricô, crochê, tecelagem e tapeçaria) além de matérias como: jardinagem, técnicas agrícolas e horticultura.
Através desta metodologia, os professores buscam despertar o gosto pela aprendizagem fazendo desta uma actividade não competitiva.

 

Qual a sua filosofia?

 

Rudolf Steiner esboçou um currículo que tem como pano de fundo as fases do desenvolvimento da criança. Ele pensava que o papel da Escola era o de ir ao encontro das necessidades das crianças. Desta forma, ele desenvolveu um currículo que incentiva e encoraja a criatividade, que nutre a imaginação e que conduz as crianças a um pensamento livre.

 

 

Mais informações em:

 

Associação Waldorf dos Açores

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publicado por olharovazio às 15:44
"A educação tem raízes amargas, mas os frutos são doces." ( Aristóteles )

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